Imunização com vacinas vivas e inativadas contra Salmonela ganha relevância para proteger o plantel e o consumidor final de ovo
As infecções por Salmonela continuam desafiando a indústria avícola em todo o mundo. A World Organization for Animal Health (OIE) classifica a doença como uma das de maior impacto econômico para o setor. As características do agente, entre elas, a persistência no ambiente e a complexidade epidemiológica fazem desta enfermidade uma das mais importantes da avicultura.
Além do acometimento clínico das aves, alguns sorotipos são responsáveis pelo contagio dos seres humanos com enfermidades sistêmicas e gastroentéricas. Inúmeras estratégias têm sido empregadas para o controle desse complexo gênero de bactérias, que compreende mais de 2.600 sorovares diferentes, dentre eles, destacam-se a Salmonella Gallinarum (SG) e Salmonella Enteriditis (SE).
Nas aves, a SE não causa sintomas clínicos, mas contamina os ovos e a carne do frango, sendo comumente associada à infecções em seres humanos. Já a SG é responsável por causar o Tifo aviário nas galinhas, enfermidade responsável por grandes perdas econômicas por conta das altas taxas de morbidade, mortalidade e queda de postura. Em lotes afetados, a mortalidade pode atingir entre 40% e 80% das aves.
O controle desses sorovares é um desafio em todos os pontos da cadeia produtiva e envolvem primordialmente três pontos chave: a biossegurança, o manejo correto das aves acometidas e a vacinação assertiva.
Publicada em 17 fevereiro de 2017, a Instrução Normativa 08 (IN08) visa reforçar ainda mais a relevância da biosseguridade dentro dos plantéis aviários com medidas como, o monitoramento regular da presença de salmonelas nos núcleos de produção, por meio de testes laboratoriais com coletas aleatórias de amostras nos estabelecimentos avícolas; telamento de aviários, proibindo o alojamento de novas aves de corte ou postura, em galpões que não possuem tela de isolamento, com malha de 2,54cm, ou outro dispositivo que impeça a entrada de predadores.
A IN08 estabelece regras mais rígidas de biosseguridade para as granjas avícolas em todo o país. A nova normativa altera uma série de dispositivos presentes em outra instrução do mesmo gênero, a IN10, de 11 de abril de 2013, responsável primordialmente pela definição do programa de gestão de risco diferenciado e monitoramento dos estabelecimentos avícolas.
Com a publicação da IN08, o efetivo controle das Salmonelas torna-se mais que necessário para auxiliar no combate contra o Tifo Aviário e na redução da excreção da Salmonella Enteriditis.
Dentro deste contexto, várias medidas são necessárias para proteger e prevenir o plantel, por exemplo, o controle de matéria-prima das rações, qualidade de pintos de 1 dia, controle de pragas, corretas medidas de limpeza e desinfecção, vazio sanitário, controle microbiológico, entre outras. A assertividade dessas medidas deve ser rigorosa nas granjas comerciais.
Um programa de vacinação bem planejado, executado e eficaz é imprescindível entre as medidas para o combate as salmoneloses. Uma medida adicional, que tem crescido nos últimos anos em todo o mundo, é a imunização de poedeiras com o uso de vacinas vivas contra Salmonella Gallinarum (SG) e vacinas inativadas contra Salmonella Enteriditis (SE) devido aos bons resultados no controle do Tifo Aviário e na redução da excreção de SE. De acordo com Caron (2015), a combinação das duas vacinas resultará em um aporte de anticorpos do tipo IgY que reduzirá a contaminação dos ovos por SE, presente nas aves e no ambiente, e diminuirá a presença da bactéria no oviduto e cloaca.
A combinação de vacinas vivas e inativas para imunização das aves facilita o controle das Salmoneloses no campo, pois permite que as aves desenvolvam diferentes frentes de resposta imune, o que irá estimular respostas mais rápidas, fortes e prolongadas frente ao desafio.
